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O osso da bossa

10.07.2019

A cultura brasileira não tem pai. Tampouco mãe.

 

No Brasil, tanto a literatura, quanto o cinema, a pintura ou a música, por exemplo, possuem em sua genealogia ícones variados – e que perpassam diversas épocas, desde a nossa primeira colonização.

 

No entanto, na música, especificamente, dos anos 1950 para cá, há um nome que se projetou, regenerando de vez – nacional e internacionalmente – nossa cultura: João Gilberto.

 

Dizem os críticos que o lançamento do LP Chega de Saudade está para a bossa nova – e a MPB, por extensão – assim como a Carta de Pero Vaz de Caminha estaria para o nascimento do Brasil.

 

João é tímido. João é mágico. João é bossa. João é novo. João é música.

 

João foi ouvido, louvado e interpretado por gente de peso, como Dizzy Gillespie, Michel Petrucciani, Stan Getz, Toots Thielemans e Charlie Byrd.

 

João saiu na Rolling Stones, na Time, no Le Monde e no El País.

 

Porém, quando veio do interior da Bahia para o Rio de Janeiro, ainda no tempo das vacas magras, o pai da bossa nova não conseguia sucesso comercial.

 

E, por não topar qualquer emprego, vivia de casa em casa de amigos:

(...) João pegou o violão e a mala, e foi dividir um quarto numa pensão em Botafogo com seu amigo Luiz Roberto, novo crooner dos “Cariocas”, e o amigo deste, um mineiro chamado Rômulo Alves.

 

É isto o que nos lembra Ruy Castro, em Chega de Saudade: A história e as histórias da Bossa Nova.

 

De fato, muito antes de passar pelas melhores casas de Paris, Nova York, Argentina, Roma ou Lisboa, o início da Bossa foi osso duro:

Apesar da boa vontade de Tom, que estava se mexendo para gravá-lo na Odeon, não havia perspectiva de disco no horizonte e, naquele momento, João estava com o velho problema: a dona da pensão onde morava, em Botafogo, o botara para fora e dissera que ele só voltasse lá para pegar a mala quando tivesse dinheiro para pagar as diárias (...)

 

Talvez por isso João cantasse – naquele sufoco – pensando em desistir:

Eu vim da Bahia

Mas um dia

Eu volto pra lá

 

Ainda bem que o teor dos versos não se cumpriu.

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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