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Culatra

12.12.2018

 

Desde o famoso quoque tu, Brute que Impérios e Repúblicas praticam – dentro do jogo espúrio do poder – seus assassinatos, motivados pelo tal "viés ideológico". A frase clássica latina acima é atribuída a Júlio César, ao reconhecer, entre punhaladas e conspiradores, o vulto do próprio sobrinho, Brutus: - Até tu?

 

Ao longo dos séculos, conspirações e assassinatos fizeram parte das sucessivas modalidades de poder. Déspotas de toda espécie – quer nos impérios, quer nas repúblicas – matariam a família inteira, necessário fosse – por reinos, ou por amores –, mas sempre em nome de uma dose a mais de poder.

 

Ainda que sem o valor e a pujança dos césares, nossa republiqueta também esteve repleta de seus assassinatos. Uns sutis; outros mais acintosos.

 

Curioso é que os assassinatos motivados por viés ideológico mais determinantes dos destinos da República brasileira são aqueles onde se errou o alvo. Lembremos dois episódios envolvendo militares, onde tiros pela culatra e facas – pasmem! – tiveram consequências mortais:

 

1. o atentado ao presidente da República, Prudente de Morais, no qual o atingido de morte foi o ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt, mediante facada mortal, no ano de 1897.

 

2. o atentado da rua Toneleros – no qual o morto foi o major-aviador Rubens Florentino Vaz –, fato determinante da nebulosa morte de Vargas, apenas vinte dias depois.

 

Na ficção de Agosto, Rubem Fonseca se apodera do segundo episódio acima destacado para enredar estórias e hipóteses aos fatos circundantes ao suicídio do caudilho, naquele fatídico agosto de 1954. E tudo num roldão que envolvia a morte de seguranças, caixas 2 e militares.

 

De acordo com Fonseca, na sequência do famoso episódio da rua Toneleros, os assassinos, fugindo num táxi, chegam a combinar a sua versão de despiste, caso “pintasse sujeira”:

 

Se me pegarem eu digo que era um freguês desconhecido que saltou em Botafogo.” “Você vai se entregar?” “Claro que não. Só se me pegarem é que eu conto essa história. Não se preocupe.

 

Como a morte de militares de patente nunca passaria impune, em ambos os contextos – sabe-se – o “bicho pegou”.

 

No entanto, Agosto demonstra que, já no calor daqueles longínquos tempos, houve clamores em nome de uma tal “moralidade”.

 

Clamores mediados pelo mesmo combo que retumba agora: favores, militarismos, senso comum, fascismos... Assim – a história se repetindo em farsa? – enterra-se o major, e clama-se ao brigadeiro:

 

Uma multidão de cinco mil pessoas acompanhou o féretro a pé até o cemitério São João Batista, em Botafogo. O senador Vitor Freitas e seu assessor afinal haviam conseguido se colocar junto dos militares e civis que cercavam Eduardo Gomes. (...) as pessoas que assistiam ao cortejo falavam-lhe, aos gritos: “Brigadeiro, não deixe a democracia morrer!”. “Vamos escorraçar os bandidos do palácio!”

 

Ainda que o tiro costume sempre sair pela culatra.

 

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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