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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Capitães-comunistas

08.11.2018

 

 

Ao mundo da pós-verdade e da pós-história, o que interessa não é a crueza do fato, mas a vileza da opinião. Todos acabam tornando-se, portanto, especialistas dentro da própria opinião. E, nesta perspectiva, a ignorância alcança escala máxima no espaço fake da aldeia global.

 

O que diz a história recente?: que nem sempre militares foram favoráveis ao poder da força e da usurpação.

 

Houve momentos em que homens militarmente doutrinados pela lógica da disciplina e da hierarquia ousaram vislumbrar mundos para além dos muros nebulosos da caserna. Sua missão?: idealizar utopias, onde a igualdade superasse a mera obediência servil.

 

Assim foi com o capitão Prestes, assim foi com o capitão Lamarca, incontestes líderes militares: capitães-comunistas!

 

Os dois Carlos, em suas atribuladas e militantes vidas, tiveram passagens por Botafogo.

 

No caso de Luís Carlos Prestes, é de se imaginar a efervescência das esquinas da 19 de fevereiro com a General Polidoro – endereço primeiro da família no bairro –, em pleno calor da ditadura Vargas:

 

A casa de Botafogo fervilhava, transformada em lugar de passagem – quase obrigatória – para os dirigentes comunistas, amigos, aliados e simpatizantes.

 

Numa das inúmeras mudanças de rosto, devido à clandestinidade, o outro Carlos – o capitão-comunista Lamarca – andara por renomada clínica da rua Jornalista Orlando Dantas, levado por misterioso companheiro:

 

(...) Almir levou-o ao consultório do cirurgião, em Botafogo, para retirar o gesso do nariz, também modificado (...)

 

E, pouco antes de partirem lá pros sertões da Bahia, foi no bairro que Lamarca e sua combatente amante se refugiaram, clandestinos:

 

 

Carlos Lamarca e Iara Iavelberg passaram os meses de abril, maio e junho de 1971 escondidos de "aparelho" em "aparelho", dentre os quais o de Renato Perrault de Laforet ("Zé"), em Botafogo (...)

 

Como uma valsa triste, no dia do velório de Carlos Prestes, as ruas de Botafogo deram silencioso testemunho, na marcha rumo ao último endereço do maior capitão-comunista da história brasileira:

 

O desfile pegou (...) as praias do Flamengo e de Botafogo, chegando à rua São Clemente, percorrida até a rua Real Grandeza, onde dobrou na General Polidoro, alcançando o portão principal do Cemitério São João Batista.

 

 

 

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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