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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Bambina

 

Ilustração da chácara que pertenceu ao conselheiro

 

A rua Bambina, uma das mais antigas do bairro, tem esse nome em homenagem à Luísa Bambina de Araújo Lima, neta do conselheiro José Bernardo de Figueiredo (1772-1854), rico proprietário de terras de Botafogo no século 19. Na chácara que pertencia a José Bernardo, foram abertas, além da Bambina, três outras ruas, que também ganharam nomes de familiares.

 

Assim que a corte portuguesa desembarcou no Rio de Janeiro em 1808, o advogado José Bernardo de Figueiredo foi nomeado para o cargo de intendente do ouro do Rio das Mortes, em Minas Gerais, pelo príncipe-regente D. João VI. Com formação em Direito na faculdade de Coimbra e a confiança de D. João, José Bernardo teve uma carreira próspera: foi juiz de fora na Vila de S. João d’El-Rei, ouvidor da comarca de Sabará, provedor da Fazenda dos Defuntos e Ausentes, desembargador ordinário da relação da Bahia, juiz de fora da cidade de São Paulo, desembargador da relação da Bahia, ministro do Superior Tribunal de Justiça e presidente do STJ por duas ocasiões.

 

Ao longo de mais de 40 anos exercendo funções nos mais altos postos da burocracia do Império, José Bernardo amealhou considerável fortuna em terras. Somente o terreno da chácara em que vivia com a família em Botafogo ocupava boa parte do bairro. Ia da rua São Clemente até o rio Banana Podre, nas encostas dos morros Dona Marta e Mundo Novo, e terminava na praia de Botafogo. Em 1852, seguindo a tendência de fatiamento das chácaras agrícolas do bairro em lotes menores para atender à demanda por novas habitações, José Bernardo criou os primeiros lotes em sua propriedade – o terreno em que fica a Casa Rui Barbosa foi um deles – e mandou abrir quatro ruas na chácara: a rua Olinda – hoje Marquês de Olinda – em homenagem ao genro Pedro de Araújo Lima, um dos próceres do Império e futuro regente; a rua Viscondessa, em nome da filha única Luzia de Figueiredo, atual rua Assunção; a travessa Figueiredo – hoje, Marechal Niemeyer –, em nome do neto Pedro de Araújo Lima Filho; e, finalmente, a Bambina, em homenagem à neta Luísa Bambina de Araújo Lima, futura Viscondessa de Pirassununga.

 

Das quatro ruas criadas por José Bernardo de Figueiredo, apenas a Bambina manteve o nome original. Assim mesmo, entre 1868 e 1937, seu nome foi mudado várias vezes: foi rua Comandante Tamborim, militar da Guerra do Paraguai, em 1868; Vicente de Souza, médico, jornalista e professor; Timóteo da Costa, pintor e decorador; novamente Bambina em 1917; de volta a Timóteo da Costa em 1934; e, finalmente, Bambina, em 1937.

 

A rua Bambina ainda preserva várias casas datadas do século 19 ou do início do século 20, algumas delas tombadas pelo patrimônio histórico e arquitetônico. Não é o caso da casa do número 40, onde o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso passou a infância. Esta encontra-se em ruínas. Parece que nem os órgãos de preservação, nem o próprio Instituto FHC consideraram que o imóvel tivesse valor histórico.

 

Casa do número 40 da Bambina em que FHC passou a infância.

 

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

 

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