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21.07.2018

 

 

Quase não se sabe que a cultura brasileira – por histórica extensão – remete à céltica.

Bem antes dos romanos chegarem à península ibérica, o povo celta e toda sua magia já dominavam o território onde, no espaço circundado pelos rios Douro e Minho, hoje se encontram Galícia e Portugal.

 

Por essas bandas – à época a Gallaecia –, quase três séculos antes de Cristo, bravas tribos célticas solidificaram os matizes galaico-portugueses, os quais resultariam, em virtude da colonização, na base da nossa cultura.

 

Sobretudo no que se refere à vida do mar e à do campo, a brava gente brasileira ainda resguarda sintomas desses traços ancestrais.

 

 

Quarta mulher a ocupar vaga na Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñón descobrira – a tempo – suas raízes galegas e, a partir de então, busca delas tirar vasto proveito literário.

 

Em seu La República de los sueños, Piñón retoma um dos temas recorrentes no imaginário coletivo galego: o exílio.

 

O protagonista da trama, Madruga – jovem migrante galego – encontrará no Brasil a sua república de sonhos. E o bairro escolhido nos trópicos para iniciar o sonho americano estaria sempre repleto com a abundância da festa e da fartura galegas, patrocinadas pelo casal Eulália-Madruga – este já considerado o rei do bairro. Eulália vivia a

 

(...) preparar, junto con los vecinos, la fiesta con que irían a saludar al único héroe de aquella cuadra de Botafogo.

 

E, claro, Botafogo, com a família galega, vivia sempre repleto de alegria:

 

Para no hablar del acordeón y de las canciones que invadían Botafogo, aquel barrio de árboles y de muros impenetrables, por lo general tan tranquilo. En él, las mansiones convivían en aparente armonía con las casas de vecindad ( ...)

 

Mas, uma vez passado o tempo em que a alegria dos migrantes Madruga ia se firmando e ecoando pelas calles do bairro,

 

La calle Mena Barreto, de una extremidad a otra, estaba adornada com fajas, banderas y gajos de plantas, presos a los postes y a los árboles, en una evocación del Domingo de Ramos (...)

 

todos os dilemas humanos iriam, mais tarde, acometer seus descendentes no embate diário com a vida real da cidade:

 

De repente, María se estremeció. Acaso se veía en Botafogo, agobiada por la angustia (...) No sabía que el corazón me ardía de repente en plena calle, obligándome a buscar protección bajo los aleros, al simple recuerdo de la hija, que compartía sus horas con hombres extraños, allá en Botafogo. Aquéllos desgraciados que se sucedian a su puerta (...)

 

Ao próprio Madruga não agradavam mais as parrandas*:

 

— Déjame solo. No quiero hablar con nadie —dijo, casi gritando. Y atravesó la calle General Polidoro, corriendo como un loco, en dirección al bar de la esquina. Madruga sintió que una mano tomaba la suya (...)

 

O celta-galego-brasileiro conectou-se – de velho – com sua morriña**.

 

 

*parranda = festa, bagunça.

**morriña = saudade da terra-mãe.

 

 

 

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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