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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Tamanho GG

13.07.2018

Foto divulgação / Mscavone

 

Dentre os vários gêneros narrativos, o policial vem – desde o século XIX – firmando-se no contexto dos romances de mistério.

 

De acordo com a crítica convencional, foi Edgar Allan Poe quem dera o toque inicial a essa espécie de narrativa que, via de regra, envolverá assassinatos, e pistas, e detetives, e mocinhas, e drogas, e noites, e sexo etc.

 

Na estrutura folhetinesca padrão dessa modalidade narrativa, isto é, em sua fórmula sempre haverá: um detetive-herói meio às avessas, trapalhão e beberrão – mas sempre romântico; dados policialescos, como jargões, laudos periciais; oposição entre bem e mal, nas figuras do detetive e do cruel criminoso; e, claro, vítimas de toda a espécie.

 

Nas letras nacionais, alguns autores tentam seguir o rastro de Poe. Recentemente, o humorista e dublê de escritor Jô Soares vem tentando impor seu nome no meio.

 

As esganadas, por exemplo, é sua quarta tentativa no gênero. Assim foi com O Xangô de Baker Street, Assassinato na Academia Brasileira de Letras e O homem que matou Getúlio Vargas.

 

No quesito detetive, o narrador de As esganadas traz um beberrão português; para figurar de assassino, um papa-defunto dublê de gourmet; e, no que concerne às vítimas, gulosas mocinhas do high society tamanho “gg”.

 

O detetive – expulso da polícia em Portugal – vivia disfarçado numa loja de doces:

 

Localizada em frente ao Mercado das Flores, na rua General Polidoro, em Botafogo, a casa ostenta uma decoração que segue o estilo da fachada, com azulejos vindos de Portugal e vitrais de flores coloridas.

 

 

O assassino em série – revelado logo no início da narrativa – é pacato papa-defunto, especializado em doces e guloseimas galaico-portuguesas, com os quais atrai suas esfaimadas vítimas para, em seguida, esganá-las:

 

Caronte arrasta a gorda adormecida do carro até a mesa, deixando o rastro adocicado do seu vômito. O clorofórmio provocou-lhe a náusea, e ela lançou uma mescla de glacês e chocolates. Com o guincho usado para mover os caixões, Caronte iça o peso morto até a mesa. Amarra o corpo estático da vítima com as correias de couro ali fixadas.

 

E as desafortunadas vítimas de Botafogo e adjacências nunca escapavam das garras psicóticas deste serial killer – desde que fossem tesudas e gulosas moçoilas tamanho “gg”:

 

O Gávea, bonde elétrico nº 10, atravessa a praia e entra na Voluntários da Pátria. Caronte se abana com o chapéu preto de abas largas, sem desgrudar a vista da monja. Para passar o tempo, irmã Maria Auxiliadora lê os anúncios...

 

O nosso inescrupuloso assassino dará de comer, comerá e esganará uma freira.

 

Nossa!

 

 

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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