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22.10.2019

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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Botafogo nas telas de pintores viajantes

Jean Baptiste Debret

 

O bairro foi retratado por alguns dos maiores artistas europeus do século 19

 

Após a mudança da Corte Portuguesa para o Brasil, em 1808, missões artísticas e científicas da Europa passaram a visitar o país pelos mais variados objetivos: para exploração da rica flora, elaboração de cartografia e atividades diplomáticas. Todas essas missões tiveram em comum parada obrigatória no Rio de Janeiro, capital do reino. E, uma vez aqui, os artistas encarregados do registro pictórico das viagens, por meio de desenhos ou pinturas – em uma época em que não havia máquinas fotográficas –, escolheram como tema a bela Enseada de Botafogo, além de outras paisagens do bairro, como a vista do Corcovado pelo Caminho de São Clemente.

 

A primeira dessas missões – e, certamente, uma das mais relevantes – foi a francesa, que chegou ao Brasil em 1816, liderada pelo professor e administrador Joachim Lebreton (1760-1819). Era formada por um grupo de artistas e artesãos importantes, como Jean-Baptiste Debret (1768-1848), pintor histórico; Nicolas Antoine Taunay (1755-1830), pintor de paisagens; Auguste Grandjean de Montigny (1776-1850), arquiteto; e Marc Ferrez (1788-1850), escultor. A missão estabeleceu-se em caráter permanente no Brasil. Graças a ela, foi fundada a Academia Imperial de Belas Artes, onde estudaram vários artistas de renome; entre eles Victor Meirelles e Pedro Américo. Foi também por obra da Missão Francesa que a historiografia brasileira pode contar com registros importantes de ofícios, costumes e paisagens da época, como a pintura de Taunay da Enseada de Botafogo (1816).

 

Em 1817, seria a vez da Missão Austríaca, organizada para celebrar o casamento entre o príncipe Dom Pedro I e a princesa Maria Leopoldina. Financiada pelo rei Francisco I, pai de Leopoldina, a expedição foi a primeira a mapear os ecossistemas do país – caatinga, cerrado, Mata Atlântica, pampa e Amazônia – resultando no livro Flora Brasiliensis, até hoje a mais completa publicação sobre a flora brasileira. Se o zoólogo Von Spix e o botânico Von Martius foram os protagonistas do grupo, seu trabalho de quase nada valeria sem as ilustrações precisas de Thomas Enders (1793-1875), entre elas várias pinturas de Botafogo.

 

O pintor alemão Johann Moritz Rugendas (1802-1858) também transpôs para as telas sua visão de Botafogo. Era o pintor contratado pela Expedição Langsdorff (1824-1929), financiada pelo barão russo Georg Heinrich Von Lagsdorff, que percorreu mais de 16 mil quilômetros do território brasileiro, com destaque para as viagens pelos rios da Amazônia. Rugendas abandonou a expedição nos primeiros meses, mas sua vasta obra é de grande importância para a história do Brasil.

 

A inglesa Maria Graham (1785-1842) – escritora, pintora, desenhista e ilustradora – não tinha a experiência profissional de um Rugendas ou de um Debret, mas, em certo sentido, era mais completa. Enquanto esposas de oficiais da Marinha Britânica costumavam se dedicar aos filhos e a afazeres domésticos, Maria Graham acompanhava o marido em suas viagens, registrando cada aspecto da viagem: das paisagens aos costumes. Observadora arguta, ela anotava tudo em seus diários, que organizava em livros ilustrados, posteriormente publicados por editoras inglesas.

 

 

No Brasil, Maria Graham esteve três vezes. A primeira delas a caminho do Chile, em 1821, com o marido, que morreu durante a viagem. A segunda, em 1822, quando morou no Rio de Janeiro por alguns meses. Por fim, retornou em 1823 ao país para ser preceptora de Maria da Glória, filha de Dom Pedro I e futura rainha de Portugal. Por pressões políticas, o trabalho não durou muito tempo, mas Maria Graham e a Imperatriz Leopoldina tornaram-se grandes amigas e assim foram até a morte de Leopoldina, em 1826. Das observações e ilustrações de Maria Graham, nasceu o livro Journal of a Voyage to Brazil and Residence there During Years 1821, 1822, 1823, com ilustrações e aquarelas de Maria Graham e de Augustus Earle, em que Botafogo está presente.

 

Muitos outros pintores viajantes viriam depois, como Conrad Martens (1801-1878), pintor oficial da expedição do naturalista Charles Darwin, que morou em Botafogo por quatro meses; Friedrich Hagedorn (1814–1889), pintor alemão na Corte Portuguesa; e Nicolau Fachhinetti (1824-1900), que fugiu da Itália em 1848, após participar de uma tentativa frustrada de revolução.

 

Devemos a todos esses artistas o registro de imagens dos primeiros anos de Botafogo. Em suas obras, podemos nos transportar para aquela época bucólica, de chácaras, carroças e natureza quase intocada.

 

 

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

 

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