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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Casarão

12.01.2018

Luis Fernando Veríssimo / Divulgação

 

Consta que a prostituição surgiu na Mesopotâmia, por volta do século III a.C.  Chegou à Grécia com fins religiosos.  Dali expandiu-se para a França, onde, enquanto profissão, começaria a ser regularizada por lei. As meninas que trabalhavam às margens do Sena, a partir de então, estariam obrigadas a praticarem sua ‘arte’ em maisons closes, isto é, em casas fechadas, com lanternas vermelhas à porta e, de preferência, longe de lugares sagrados. Em outras palavras, o que se praticava em público, às bordas do Sena, passava agora à vida privada – aos bordéis.

 

De vida privada quem bem entende é Luis Fernando Veríssimo. Aliás, dela faz comédia 

num sem-número de crônicas. E é com o ar do mistério que circunda o privado da vida que o ilustre filho de Érico Veríssimo nos leva a conhecer o bordel de sua preferência:

 

Para entrar você precisa ser apresentado por algum conhecido da casa. Se chegar sozinho, ultrapassar o grande portão de ferro, caminhar por entre os canteiros bem cuidados e os anjos de pedra, subir a escada de mármore, bater na porta e perguntar “É aqui que...”, baterão com a porta na sua cara.

 

Pelos canteiros, escadas de mármore etc, nota-se não se tratar de um bordel qualquer. O bordel de Veríssimo é puro luxo:

 

Você precisa ser apresentado por um cliente. A clientela é pequena. (...) Os homens olham furtivamente para todos os lados antes de entrarem pelo grande portão de ferro. Muitos vão de dia, para evitarem suspeita. E a fama do lugar se espalha (...)

 

Fofoqueiro por natureza, o cronista continua no relato ao curioso leitor do ambiente de prazeres e luxúrias:

 

– Tem uma madame e tudo?

– Tem uma madame com cara de vó da gente. Serve um licorzinho, bolinho de polvilho. E vai apresentando as meninas.

 

Então, diante das descrições feitas das fantásticas meninas, o intrépido interlocutor não se contém – e brada:

 

– Você precisa me levar lá!

 

Onde ficaria tão chique bordel? O narrador, fofoqueiro mas discreto, apenas ameaça revelar o endereço de Uma certa casa – título de sua libidinosa crônica –, mas deixa pistas:

 

Fica na Zona Sul. Num casarão de Botafogo. Num dos últimos casarões de Botafogo.

 

Qual será?

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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