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22.10.2019

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Morte nos ares

Arte: Augusto Brito
 

Choque entre duas aeronaves na Enseada de Botafogo foi o primeiro grande acidente do país envolvendo um voo comercial.

 

Às 14h30 do dia 8 de novembro de 1940, com céu parcialmente nublado, o avião comercial Junkers Ju 52 da Vasp – prefixo PP-SPF, batizado de “Cidade de Santos” – decolou do Aeroporto Santos Dumont, com 14 passageiros e quatro tripulantes, para o voo 4752, rumo ao Aeroporto de Congonhas em São Paulo, onde deveria chegar por volta das 15h45.

 

Entre os passageiros, estavam o cientista e médico Evandro Chagas, filho mais velho do também cientista Carlos Chagas; o cônsul da Noruega em Santos, Alexander Stattel Grieg; o diplomata britânico Edouard Pengelly; e o embaixador de Cuba no Brasil, Alfonso Hernández Catá.

 

Perto dali, uma esquadrilha de aviões argentinos, que veio ao Brasil para as comemorações da Semana da Asa, preparava-se para pousar na pista do Fluminense Yacht Club – hoje Iate Clube do Rio de Janeiro. Entre eles, estava o avião modelo Havilland DH.90 Dragonfly – batizado “Gavilan de la selva”, da empresa Shell-Mex Argentina –, pilotado pelo inglês Collin Abbott, um profissional experiente que trabalhava na empresa havia 11 anos.

 

Segundo testemunhas, o Dragonfly amarelo executava manobras de aproximação para pousar, quando entrou na rota do Junkers, atingindo sua asa direita, que se soltou da fuselagem. Após o choque, por volta das 14h35, os dois aviões caíram.

 

O Junkers mergulhou na Baía de Guanabara, matando, instantaneamente, todos os seus 18 ocupantes. O Gavilan perdeu o controle e caiu atingindo árvores da orla até que seus destroços desabassem sobre o prédio de uma mercearia localizada no n° 154 da Praia de Botafogo, onde hoje fica o edifício Audax. O impacto da queda do Dragonfly foi tão forte que o corpo do piloto foi parar no pátio do Colégio Juruena, no número 166.

 

Causas

 

Após o acidente, foi constatado que a aeronave da Shell-Mex não tinha autorização para o voo turístico nos céus do Rio de Janeiro, mas as investigações concluíram que a pouca visibilidade foi a causa do acidente. Até então, o Aeroporto Santos Dumont não possuía torre de controle de tráfego aéreo, que era realizado de modo precário pela estação radiotelegráfica da Panair do Brasil. Muitos pilotos recorriam, então, à observação visual, que ficou prejudicada naquele dia nublado.

 

Como consequência do até então maior acidente aéreo do país, a pista do clube foi interditada e nunca mais reaberta, por ter sido considerada de alto risco. Foi recomendada a instalação de uma torre de controle no Aeroporto Santos Dumont, o que só ocorreu em 1943.

 

Até hoje, o desastre da Enseada de Botafogo está entre os piores acidentes aéreos da história do país. Felizmente, foi a última vez que uma tragédia como essa ocorreu no bairro.

 

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

 

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