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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Do bar

04.01.2018

Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra, Joaquim Pedro de Andrade, Walter Lima Jr, Zelito Viana, Luiz Carlos Barreto, Glauber Rocha e Leon Hirszman

 

O vaticínio do cineasta e pintor norte-americano Andy Warhol, no contexto internético, se expande e ganha ainda mais sentido, na medida em que o tempo por ele ali vaticinado – 'No futuro, todos terão seus quinze minutos de fama' – drasticamente diminui.  Em outras palavras, alguns segundos na rede podem conferir a qualquer “idiota da aldeia” – para usar uma expressão do pensador italiano Umberto Eco – perene notoriedade.

 

No entanto, antes mesmo do fenômeno internético, as mídias existentes já davam espaço ao faz-tudo midiático, aquele a quem convencionou-se chamar multimídia. Jogando sempre nas onze, o multimídia faz teatro, faz televisão, faz cinema e, ainda por cima, escreve. E, às vezes, dança.

 

Bruno Barreto, Cacá Diegues, Arnaldo Jabor e Glauber Rocha

 

O outrora cineasta Arnaldo Jabor encaixa-se bem neste perfil. Oriundo do Cinema Novo, discípulo de Glauber Rocha, e depois de marcar o cinema nacional com pelo menos dois clássicos – Toda nudez será castigada, dos anos de 1970 e Eu te amo, dos anos 1980 –, Jabor, nos anos noventa, enveredaria para a imprensa televisiva, dali para a escrita – e, logo, a literatura.

 

Enfim, a fama. Deixando, portanto, a qualidade de lado, há mediocridades literárias que valem pela informação que trazem do tempo. Das crônicas de O malabarista destacam-se revelações preciosas acerca do nascimento daquele que foi o mais pretensioso movimento cinematográfico do país:

 

Tenho uma profunda saudade do bar da Líder (...) Que diabo é o bar da Líder? Lá na Rua Álvaro Ramos, em Botafogo, foi arquitetado o Cinema Novo. Era um botequim tímido, em frente ao Laboratório da Líder, onde revelávamos nossos primeiros filmes. (...) Hoje o bar virou uma ‘acrílica’ lanchonete.

 

Vale dizer que a gênese etílica do Cinema Novo é, incontestavelmente, dado histórico importante. O hoje cronista midiático, assim, ressalvadas as vicissitudes literárias, faz o registro do orgulho de ter tido um dia, num bar de Botafogo, o reconhecimento internacional de críticos do Cahiers du Cinéma, num tempo em que o meio era apenas uma super-8 na mão.

 

E, sendo o relato de Jabor fruto da memória, não deixa de conter sua dose do lirismo de uma época, estabelecendo a relação entre a novidade impactante do Cinema Novo e um específico boteco do bairro:

 

Daí nossa esperança naqueles anos utópicos, daí nosso desprezo por dinheiro, pela caretice e pelo sucesso burguês (...) Por isso o bar da Líder de noite parecia aquele barzinho do Van Gogh, jorrando luz, com estrelas enormes girando no céu de Botafogo.

Éramos assim em 1967.

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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