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Botafogo é a melhor diversão

26.06.2017

 Sessão de estreia do Estação Botafogo

 

 

​O bairro de Botafogo é o paraíso dos cinéfilos da cidade do Rio de Janeiro. E já não tem mais a concorrência da Cinelândia, de Copacabana e da Tijuca, que foram, pouco a pouco, perdendo suas muitas salas de cinema para igrejas, farmácias e outros empreendimentos comerciais. Desde a chegada do primeiro cinema à Zona Sul, para uma exibição experimental em 1903 – o Rink Santos Dumont, na rua Voluntários da Pátria número 1 –, a paixão dos moradores e frequentadores do bairro pela telona sobreviveu à televisão, ao videocassete, à TV a cabo e à internet, adaptando-se e renovando-se a cada nova onda.

 

Essa história começou na primeira década do século XX, quando o fornecimento de energia elétrica, fundamental para as projeções, tornou-se confiável.  Em 1908, era inaugurado o Cinema High Life, na Praia de Botafogo 506. Em 1910, foi a vez do cinema Pathé, da produtora francesa de mesmo nome, abrir suas portas na rua São Clemente 37. E, em 1911, a produtora norte-americana Edison inaugurava o Cinema Edison, na rua Voluntários 267.

 

A novidade teve vida curta, durando até o início da Primeira Guerra Mundial. O Pathé funcionou até 1915, mudou seu nome para Cinema Rui Barbosa e foi fechado definitivamente em 1919.  O Cinema Edison não teve sorte melhor e fechou em 1914. E o High Life funcionou até 1913, sendo reaberto somente em 1920, com o nome de Cinema Guanabara.

 

 

No Guanabara, as séries americanas “Flash Gordon”, “Batman” e “Jim das Selvas” faziam tremendo sucesso. Seu principal concorrente no bairro era o Cinema Nacional, inaugurado em 1926, na rua Voluntários da Pátria 331. Com a consolidação do mercado de exibição de filmes, vieram novas salas, todas grandes e suntuosas: o Cinema Star (1944), na rua Voluntários da Pátria 35; o Cine Ópera (1959), na Praia de Botafogo 340; o Cine Veneza (1963), na avenida Pasteur 184; e os cinemas Coral e Scala (1964), na Praia de Botafogo 316.

 

A exceção foi o pequeno Cine Capri, inaugurado em 1968 em uma galeria, na rua Voluntários 88. Sua programação incluía, além de lançamentos, festivais de filmes antigos a preços bem acessíveis. Em 1982, o Capri virou Cinema Coper e, em 1985, passou a funcionar como Cineclube Estação Botafogo.

 

Botafogo sempre foi um bairro receptivo ao cinema de arte. Depois da primeira fase dos cineclubes, vieram as videolocadoras especializadas nesse tipo de produção. Além do Cineclube Estação Botafogo, as videolocadoras Cavídeo, na Voluntários 446 (Cobal) e a Video Session, na rua Professor Alfredo Gomes 1, ofereciam variedade e qualidade de títulos do mundo inteiro, encontrando seu nicho em meio aos campeões de bilheteria de Hollywood. Alguns atribuem ao Estação Botafogo a formação desse público e a revitalização dos cinemas de rua em Botafogo. Por extensão, a revitalização da região conhecida como Baixo Botafogo.

 

Videocassetes, DVDs e o fim das grandes salas

 

Com a chegada dos videocassetes na década de 1980, as grandes salas estavam com seus dias contados. Jamais se repetiriam aquelas filas para comprar ingresso de dar volta em quarteirão. A solução para os cinemas era reduzir o tamanho das salas ou fechar. O Cinema Guanabara já havia sido fechado em definitivo em 1977, para dar lugar a um prédio residencial. O Cinema Nacional acabou. No local, funcionou, entre 1963 e 1972, o Bruni Botafogo. Hoje lá existe uma Casa & Vídeo. O Cinema Ópera, que se dividira em Ópera 1 e 2 na década de 1990, teve o mesmo destino do Bruni. Virou Casa & Video e hoje a loja está fechada. O Veneza resistiu cerca de 30 anos. Virou bingo na década de 1990 e hoje abriga uma casa de festas.

 

Os cinemas sobreviventes passaram por grandes modificações. O Star, que se chamava Cinema Botafogo desde 1951, virou Espaço Unibanco de Cinema em 1995. Hoje é o Estação NET Rio. A sala de 1400 lugares do antigo cinema foi transformada, inicialmente, em três salas. Atualmente o espaço tem cinco salas, um café e uma loja. Os decadentes cinemas Coral e Scala deram lugar, em 2005, ao Espaço Unibanco Arteplex; desde 2013, Espaço Itaú de Cinema. A galeria do cinema abriga, além de seis salas, restaurante, café e livraria.

 

Enquanto o mercado se adaptava, foram inaugurados os shopping centers no bairro e, com eles, novas salas de exibição. Surgiram o Riosul em 1980, o Rio Off Price em 1995 e o Botafogo Praia Shopping em 1999.  O Riosul tem hoje seis salas Kinoplex, o Rio Off-Price virou Casa & Gourmet Shopping, e suas duas salas de cinema deram lugar ao restaurante Outback. E o Botafogo Praia Shopping tem seis salas da rede Cinemark.

 

Hoje as 26 salas de cinema do bairro oferecem atrações para todos os públicos e gostos, dos filmes de arte aos blockbusters, de 2D a 3D e cadeiras D-Box. Pelo menos em Botafogo, ainda vale o velho slogan: “cinema é a melhor diversão”.

 

 * Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

 

 

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