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Pisavas nos astros!

22.06.2017

 

 

Pouca gente sabe, mas, além de grande compositor popular, Orestes Barbosa também foi um dos maiores cronistas de seu tempo. Aliás, ainda devemos tributos a esse autor que – não bastasse a clássica Chão de estrelas –, deixou-nos centenas de outras canções e mais de uma dezena de importantes livros de crônicas.

 

Em Bambambã!, por exemplo, o autor dos versos que Manuel Bandeira tanto invejava – “tu pisavas nos astros distraída” – ambienta sempre seus textos nos submundos do Rio. De Cascadura a Botafogo. Isso nos idos de 1923.

 

 

Dentro do que sugere o título onomatopeico – Bambambã! –, a cidade, em crônicas intituladas João Maluco, O namoro na cadeia, Na Cidade do Punhal e da Gazua, etc é metaforizada no espaço subterrâneo de uma Casa de Detenção, por onde desfilam seus personagens.

 

O facínora João Maluco, tendo convivido, como copeiro, em casa de famílias abastadas, possui uma cultura variada – cousas que ele ouvia contar nas cozinhas de Botafogo.

 

Os cubículos e galerias da Casa de Detenção são como as de casa das famílias da cidade historicamente em contrastes:

 

Há palacetes nobres – os salões nº 1 e 2.

 

 

 

É Flamengo e Botafogo.
 

 

 

A primeira e terceira galerias equivalem à Tijuca e Vila Isabel.

 

 

A cidade, já partida na metáfora de Orestes Barbosa, ao mesmo tempo em que cronicamente reflete a violência da desigualdade social.

 

  Antes do despertar dos bairros chegam leiteiro, o padeiro e o jornaleiro.

  

O leiteiro só vai a Botafogo, Flamengo, Tijuca...

 

A Favela não bebe leite.

 

Nos salões, na primeira e terceira galerias, Botafogo, Flamengo, Tijuca e Vila Isabel, – há lâmpadas fortes.

 

Na segunda galeria é a iluminação de Madureira.

  

ameniza, outrossim, suas diferenças no cotidiano da subversão:

 

O povaréu do Rio – donas de casa e criadas, de Catumbi e de Botafogo, jogam no bicho.

 

Em Bambambã! – que é tiro, porrada e bomba –, desfilam personagens como o Pereira do Peixe ou o Moleque Menor. Mas também como aquela prostituta linda e inculta de Botafogo – Alice Cavalo de Pau. Diz que quando enricou, já velha, ganhou ares de puta culta. Conta Orestes que certa feita Cavalo de Pau recebera um figurão da política nacional, exigindo naquela noite mocinha de 15 a 18, em dinheiro vivo, mas com uma ressalva: que fosse inteligente. Ao que Alice, malcriada, retrucara:

 

— O senhor quer dormir com inteligência? Então não é aqui. É na rua São Clemente, 134.

 

Que é até hoje onde fica a Casa de Rui Barbosa!

 

Nestes tempos criminais, vale o confere: Bambambã!

 

 

 

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

 

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