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Palácio da Cidade e dos cariocas

19.06.2017

 

Na semana passada, a imprensa noticiou que o Palácio da Cidade, local de trabalho do prefeito e de recepções oficiais do governo municipal, havia sido fechado à visitação pública. A ordem partiu do próprio prefeito, que proibiu os passeios pelos jardins, utilizados com frequência pelos moradores do bairro de Botafogo.

 

Enquanto o prefeito não revê essa medida nada simpática, que tal conhecermos um pouco da história do Palácio da Cidade?

 

Ela começa em 1938, quando o governo da Inglaterra adquiriu um terreno de 60 mil m² na rua São Clemente 360, para construir a nova embaixada britânica. Vale lembrar que, até a construção de Brasília, o Rio de Janeiro era a capital do país e sede, portanto, de todas as representações estrangeiras.

 

Veio a 2ª Guerra Mundial, e o plano foi adiado. Ao fim da guerra, o Reino Unido havia perdido poder, mas não a pose. O projeto original da embaixada foi modificado com a recomendação expressa de que rivalizasse com o da vizinha embaixada dos EUA, onde hoje fica a Escola Alemã Corcovado (rua São Clemente 388).

 

 

O arquiteto escocês Robert Russel Prentice Dowling foi o encarregado do projeto. Pouco conhecido no Reino Unido, Prentice esteve à frente de outras obras importantes na cidade, como as estações Central do Brasil e Barão de Mauá, conhecida como Estação Leopoldina.

 

 

Como previa o projeto da embaixada britânica, um grande palácio foi erguido sobre uma base em mármore com escadas duplas, que formavam um terraço no primeiro andar. Na frente, um pórtico imponente era sustentado por quatro colunas.

 

Atrás, um quadrilátero formava os aposentos privados do embaixador, protegido por colunatas. O interior, de notável sofisticação, foi inspirado no estilo Adams, muito em voga na Inglaterra dos anos 1765-1790.

 

A embaixada recebeu muitas personalidades entre as décadas de 1940 e 1960, com destaque para a rainha Elizabeth II, que lá se hospedou em 1968, durante visita ao país.

 

Em 1975, sem funcionar como embaixada desde a mudança da capital, o prédio foi vendido vazio para a prefeitura da cidade, que contratou uma equipe de designers para escolher o mobiliário que preservasse as características e o estilo da construção.

 

Na sala de jantar, usada geralmente para reuniões do prefeito com secretários, há uma mesa oval de madeira e cadeiras compradas de um antigo embaixador da Grã-Bretanha, além de uma arca com detalhes em jacarandá e dois tocheiros. Um grande salão é utilizado para solenidades, como a de posse de novos prefeitos, e recepções. Foi lá que o papa Francisco recebeu a chave da cidade pelas mãos do ex-prefeito Eduardo Paes em 2013, durante a XXVIII Jornada Mundial da Juventude Católica.

 

A decoração conta ainda com obras de artistas brasileiros e estrangeiros como Glauco Rodrigues, Roberto Moriconi, Mario Agostinelli e Eduardo Sued. Em 1984, o palácio foi tombado e faz parte permanente do acervo cultural da cidade do Rio de Janeiro e dos cariocas.

 

Portanto, é de todos nós.

 

 

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

 

 

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