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22.10.2019

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INGLÊS SOB MEDIDA

AULAS PARTICULARES

Há cerca de 25 anos, o gaúcho Robespierre Ávila Azevedo – mais conhecido como Pierre – chegou ao Rio de Janeiro com um violão debaixo do braço e o sonho de ficar famoso como músico.

 

Sem conhecer a cidade, tratou de procurar um quarto para alugar em Botafogo, perto do metrô. Encontrou um a bom preço na rua Marechal Francisco de Moura, na entrada da comunidade Santa Marta, que ainda não era pacificada. Pierre não sabia disso. “Eu nem sabia o que era Santa Marta. A pessoa que me mostrou o quarto disse que a rua era sem saída. E eu fiquei pensando aonde ia aquele povo todo em uma rua sem saída.”, lembra Pierre aos risos. Ele ficou com o quarto. Uns quinze dias depois, acordou de madrugada com o barulho de rajadas de balas. “Entre o meu prédio e outro, havia um vão por onde se avistava a boca de fumo. A polícia atirava por esse vão, e o pessoal da boca atirava de volta”.

 

Cultura da paz

 

Passado o susto, o músico foi se enturmando. Fazia parte da banda In, quando viveu a tragédia que daria uma guinada em sua vida. Inês, a vocalista, foi morta a tiros em um assalto, na Penha. Pierre nunca mais quis saber de fazer parte de qualquer banda e resolveu tomar uma atitude. “Comecei a trabalhar como voluntário no Movimento Viva Rio, liderado por Rubem César Fernandes. Participei da primeira campanha pelo desarmamento e, desde então, procurei trabalhar em projetos voltados para a cultura da paz. Até aquele momento eu só havia trabalhado em projetos sociais como contratado, mas nunca havia me envolvido diretamente.”

 

"E que a atitude de recomeçar é todo dia toda hora"

(trecho da música "Eu apenas queria que você soubesse", de Gonzaguinha)

 

Na Santa Marta, as coisas foram se encaixando. Em 2004, fundou a ONG Atitude Social para apoiar projetos voltados para inclusão social de crianças, jovens e adultos em situação de vulnerabilidade e risco de exclusão, e passou a desenvolver o projeto “Aos Pés do Santa”, na Casa de Cultura Dedé*. “Fui conhecendo os músicos do morro e ajudei a fundar, no mesmo ano, o grupo de choro Filhos de Marta, que existe até hoje”, conta.

 

 

 

 

A ideia era ensinar música de graça na própria comunidade. “Na época, os meninos tinham que ir a Laranjeiras, Gávea ou Copacabana para estudar, mas seus professores eram músicos do Santa Marta, maestros formados graças a um projeto muito bem sucedido do Turíbio Santos”, lembra Pierre. “A gente queria ensinar bossa nova, jazz e MPB. O morro sempre foi funk e samba. O samba é um celeiro de ritmistas, mas nossa proposta era mostrar novos movimentos culturais. Tinha muita coisa acontecendo aqui que não era conhecido, inclusive teatro”.

 

 

Desde a fundação, a ONG oferece reforço escolar e aulas de música gratuitas – violão, guitarra, cavaquinho, baixo, piano, teclado, sax, flauta, trombone, percussão, harmonia e improvisação – para centenas de criança do morro. Já produziu dois curta-metragens – “Um lobisomem no Santa Marta” e “A Mulher do latão”, baseados em lendas locais – e os documentários “Crianças do Cine Atitude”, “Teatro na Laje 2” e “8º Fórum de Imprensa de Língua Portuguesa”, voltados para a comunidade, por meio do NAVi – Núcleo de Audiovisual Atitude. Também por iniciativa da Atitude Social, foram realizados diversos eventos em datas comemorativas: “Dia de Santa Marta é SHOW”, “Dia Internacional da Paz”e “Aniversário da ONG”. Tem também o bailinho de carnaval e shows, como o “Santa Samba Jazz”, no Espaço Michael Jackson, que fez parte da programação olímpica da Rio 2016 e contou com a participação de Gilson Peranzzetta, Paulinho Trompete e Mauro Senise, tocando com Pierre.

 

 Sessão de cinema no Espaço Michael Jackson
 

Em 2010, a Atitude Social foi classificada como ponto de cultura da cidade do Rio de Janeiro e, em 2014, recebeu instrumentos musicais doados pelo Rock in Rio - a cantora Josh Stone doou a bateria e um violão, e outros músicos doaram um piano e algumas guitarras.

 

 Ensaio na laje

 Biblioteca da Casa de Dedé

 

Você pode conhecer mais sobre a instituição no site. A ONG não possui patrocinadores e vive de doações de empresas ou de particulares, que podem ser feitas na conta ONG Atitude Social (CNPJ 07.173.435/0001-87 - Caixa Econômica Federal - Agência 0206 - Operação 022 - Conta Poupança 000022 49-4). Pierre, jovens e crianças agradecem.

 

*O imóvel que abriga a ONG Atitude Social foi adquirido pela Associação de Moradores para implantação do Ambulatório de Saúde Dedé, que funcionou de 1985 a 1991. José Manuel da Silva Machado, o Dedé, morador e importante liderança comunitária, lutou pela instalação do ambulatório, que foi fechado por problemas estruturais e falta de recursos. Ao ocupar o imóvel, a ONG Atitude Social manteve a homenagem e batizou sua biblioteca de Casa de Dedé.

 

 

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