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  • Lucio Valentim

Cecília


A Poesia é feminina no nome, mas masculina no ato.

Embora a frase seja apenas uma máxima, na prática é o que de fato ocorre, basta que se dê breve burilada nos nomes que compõem a lírica universal.

De Virgílio a Drummond.

Contudo, é vigente a ideia de que o termo Poeta é comum de dois. Em outras palavras: quer seja masculino, quer seja feminino, quem escreve poesia é sempre “o” Poeta.

E neste sentido é que Cecília Meireles é grande:

Pus o meu sonho num navio e o navio em cima do mar; depois abri o mar com as mãos, para o meu sonho naufragar.

Em poesia – como na vida – não se podem distinguir sentimentos por gêneros. Isto é: o sentimento do poeta é universal, na medida em que o seu sentir reflete o próprio tempo do sentir humano:

Eu canto

Porque o instante existe

E a minha vida

Está completa

Não sou alegre, nem triste:

Sou Poeta!

Cecília – Caecilia em latim – pode significar sábia, cega ou guardiã.

Ah, sim!, nascida no Rio Comprido, formada professora na Escola Normal – e bem antes da Crônica Trovada da Cidade de San Sebastian do Rio de Janeiro –, Cecília Meireles organizaria e dirigiria a primeira biblioteca infantil brasileira, que explorava ao máximo as possibilidades arquitetônicas de um lugar repleto de magia e poesia essenciais à mente infantil: um ambiente de torres, porões, refúgios e descobertas, ludicamente instaurado no exótico Pavilhão Mourisco, em Botafogo.

Isto lá pelos idos de 1934.

*Lucio Valentim é professor de Literaturas, doutor em Letras Vernáculas e pesquisador visitante no Programa Avançado de Cultura Contemporânea (PACC) da UFRJ

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