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  • Antonio Augusto Brito

Libertadores das Américas


Estátua de Simón Bolívar. Foto: Marcelo Migliaccio

A história de heróis latino-americanos nas praças de Botafogo

O jornalista Marcelo Migliaccio fez a denúncia: “Vandalizaram o monumento a Simón Bolívar, em Botafogo”. Na foto da estátua de El Libertador, que fica na avenida Lauro Sodré, vê-se que os nomes “Simón Bolívar” e da “Venezuela” foram arrancados da inscrição de metal no pedestal. Se a intenção era fazer um protesto político contra o governo venezuelano de Nicolas Maduro, não foi uma ideia muito inteligente. Quando a estátua equestre foi presenteada ao Brasil pelo governo daquele país, em 1978, seu presidente era Carlos Andrés Pérez, que nada tinha de “bolivariano”. O presidente Hugo Chávez, líder da revolução bolivariana, só seria eleito para seu primeiro mandato em 1999.

O desconhecimento de história e regras mínimas de civilidade entre povos leva, com frequência, a esse tipo de confusão. Melhor respeitar a soberania e as escolhas de cada país.

Um bom exemplo disso são os monumentos em homenagem a Bartolomeu Mitre (1821-1906) e Almirante Tamandaré (1807-1897). O primeiro foi político, escritor e jornalista argentino, que comandou as forças da Tríplice Aliança na primeira fase da Guerra do Paraguai e foi responsável pela consolidação do território argentino. O segundo comandou a esquadra imperial brasileira na guerra de independência e no início da Guerra do Paraguai.

Durante a campanha do Paraguai, Mitre e Tamandaré se desentenderam algumas vezes. O líder argentino criticava a demora de Tamandaré em movimentar a esquadra brasileira, fundamental para transporte e cobertura das tropas pelo rio Paraguai. Por outro lado, Tamandaré desconfiava de que Mitre tinha interesse em expor a frota imperial a avarias e, assim, ganhar vantagem geopolítica. A história provou que a desconfiança não se justificava. Bartolomeu Mitre foi um aliado leal até o fim do conflito.


Em 1961, foi inaugurado um busto em homenagem a Mitre na Praia de Botafogo, em frente ao consulado da Argentina, presente daquela nação como sinal da amizade entre os dois povos. Um pouco mais adiante, na Praça Marinha do Brasil, fica a estátua de Tamandaré, esculpida pelo artista Leão Veloso e inaugurada em 1937 em homenagem ao patrono da Marinha de Guerra do Brasil.

Os dois monumentos compartilham o mesmo espaço da orla em harmonia, como deve ser a relação entre povos. Podemos ter opiniões favoráveis ou contrárias a cada um desses personagens, mas a política passa, e a história fica.

Estátua do Almirante Tamandaré na Praça Marinha do Brasil

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

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