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  • Antonio Augusto Brito

Prazer e negócios


Baronesa consorte de Sorocaba, amante de dom Pedro I.

Corto cabelo em um salão da rua Sorocaba. O barbeiro, que deve ter uns 30 anos, costuma se gabar de suas conquistas amorosas. Fico só ouvindo, lembrando que a rua Sorocaba tem esse nome em homenagem à baronesa consorte de Sorocaba, uma das muitas amantes do imperador dom Pedro I, aquele sim, um garanhão inveterado.

Diz a história – não aquela que a gente aprende na escola – que Pedro não podia ver um rabo de saia que já apresentava as armas. E, nesse particular, era democrático: deitava-se com criadas, meretrizes, artistas, mulheres de comerciantes ou damas da corte. Pouco importava.

O fogoso príncipe também não tinha pudores em manter relações com várias mulheres de uma mesma família, como fez com a dançarina Noemi Thierry e sua irmã. Em visita à casa de seu camareiro Pedro Cauper, acompanhado de Leopoldina, com quem era casado havia pouco, ele aproveitou para dar uma escapada com Noemi, enquanto as filhas de Cauper distraíam a princesa. Uma delas – Mariquita Cauper – também era amante do imperador. Leopoldina percebeu o esquema e queixou-se ao sogro, que despachou a família Cauper para Portugal. O marido de Noemi, militar, foi transferido para Pernambuco junto com a esposa, grávida de seis meses de Pedro.

Dom Pedro voltaria a se envolver com duas irmãs, as paulistas Domitila e Maria Benedita de Canto Mello. Domitila – mais tarde Marquesa de Santos – foi a mais famosa das amantes de Dom Pedro – e também a mais odiada – por confrontar a Imperatriz Leopoldina, estimada pela população, e ambicionar o trono. Já a irmã Maria Beneditina, bem mais pragmática e discreta, recebia Pedro I em sua casa, na Glória, quando este ia à missa, na igreja Nossa Senhora da Glória do Outeiro. Apesar da discrição, Domitila morria de ciúmes e, certa vez, encomendou o assassinato da irmã. Maria Benedita foi atacada a tiros quando passava em sua carruagem pela ladeira da Glória, mas escapou ilesa.

A intimidade das irmãs Domitila e Maria Benedita com o imperador rendeu benefícios econômicos e políticos para toda a família. Boaventura Delfim Pereira, barão de Sorocaba e esposo de Maria Benedita, foi o principal administrador dos bens de Pedro I. Domitila, tornada Marquesa dos Santos após a morte de Leopoldina, em 1826, receberia ainda a condecoração da Real Ordem de Santa Isabel de Portugal, além de conseguir títulos de nobreza para o resto da família. E os filhos do imperador gerados desses dois relacionamentos – Isabel Maria, duquesa de Goiás, e Maria Isabel II, condessa consorte de Iguaçu, filhas de Domitila; e Rodrigo Delfim Pereira, filho de Maria Benedita – foram os únicos filhos naturais de D. Pedro incluídos em seu testamento, embora não tivessem direitos sucessórios à Coroa.

A rua Sorocaba foi aberta pelo conselheiro Antônio Delfim Simões, rico proprietário de terras em Botafogo e genro da baronesa de Sorocaba. A esposa do conselheiro, dona Mariana Simões da Silva, também foi homenageada, dando nome à rua paralela conhecida simplesmente como Dona Mariana, que atravesso sempre quando volto do barbeiro.

Busto da baronesa de Sorocaba. Escultura em bronze de Marc Ferrez, que ficou mais conhecido por seu trabalho como fotógrafo.

* Antonio Augusto Brito é jornalista e adora história do Brasil

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